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Banho de ervas – Do pescoço para baixo ou a partir da cabeça?

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Muito se discute sobre a forma correta de se tomar um banho de ervas dentro dos fundamentos da religião de Umbanda. Esquecemos, por vezes, que a Umbanda é uma religião com pluralidade de ritos e fundamentos. Damos o nome de escolas de Umbanda a este fato.

Uma escola de Umbanda é definida por seu corpo doutrinário (ritualística e fundamentação), sua ética e sua forma de transmissão de conhecimentos. Em um momento oportuno abordaremos este tema com mais propriedade. Por ora, cabe salientar que uma escola pode se misturar com a outra. Situação muito comum, por sinal. Terreiro de Umbanda Sagrada com Escola da
Vida do Caboclo Mirim, Umbanda Esotérica com Tradicional e assim por diante. Outro nome que se dá a este fenômeno sociorreligioso é vertentes de Umbanda. O nome pouco importa. O que se deve ter conta é que cada terreiro possui seus próprios fundamentos com base em sua escola herdada, sua tradição de Umbanda. O banho de ervas é um fundamento litúrgico, um ritual que possui teoria explicativa diferente e divergente em cada escola analisada. Em algumas, a prática é idêntica, porém, o fundamento que lhe oferece base é diferente. Em outras situações, tanto a prática como o fundamento são completamente diferentes gerando controvérsia e confusões que extrapolam o meio religioso e atrapalha a convivência social entre terreiros, pais e mães de santo e filhos de fé.

Banho de ervas - Do pescoço para baixo ou a partir da cabeça?

A FAVOR DO BANHO NA COROA

As escolas que fundamentam o banho de ervas despejando-o no corpo do cavalo de Umbanda desde o alto da coroa até os pés afirmam que a cabeça também é parte do corpo e, portanto, deve ser limpa por meio do referido banho de ervas. As exceções são os banhos ácidos como a espada de são Jorge, o peregum, a mamona, por exemplo. Alguns terreiros, ao invés de jogar todo o líquido a partir da cabeça, molham com os dedos o banho e passam uma quantidade menor no alto da coroa, repetem o procedimento na altura do chacra coronário e despejam o banho do pescoço para baixo. Por fim, afirmam que amaci de ervas é banho de ervas. Preparado de forma específica, mas é água com ervas assim como o banho de ervas é água com ervas também. Ambos os preparados possuem ervas. As ervas possuem energia e preparam nosso corpo para as práticas ritualísticas.

CONTRA O BANHO NA COROA

Escolas de Umbanda com base africana, yorubana, jeje ou banto, bem como a escola de Umbanda Tradicional ou Espírita ou Branca informa que o banho de ervas não pode abranger a coroa do cavalo de Umbanda. Deve ser despejado do pescoço para baixo, tendo em vista que, o banho de ervas de coroa se chama amaci. Afirmamos que, mesmo dentro de uma escola, encontramos divergência como, por exemplo, este autor (Adérito Simões) que possui como tradição duas escolas em conjunto, a Umbanda Sagrada como fonte de fundamentação teórica e a Escola da Vida como fonte de fundamentação hierárquica e ritualística.

Não utilizamos em nossas práticas e proibimos o uso do banho de ervas regular na coroa do cavalo, salvo determinação específica e fundamentada do guia chefe do terreiro neste sentido.

Em contraponto ao argumento de que a cabeça é parte do corpo, escolas com esta proibição afirmam que os olhos também são parte do corpo, mas não lavamos os olhos com sabão.

Usamos colírio. Também não usamos sabonete no cabelo, usamos xampu e condicionador. Os olhos são muito sensíveis e necessitam de elemento específico de limpeza.

O ori também é muito sensível e merece elemento específico de limpeza. O cabelo é muito diferente da pele exigindo outros elementos para ser tratado.

Não há forma mais correta ou forma errada. Vemos acima que cada prática possui fundamentos consistentes. Cada cavalo de Umbanda deve respeitar sua tradição e ritualizar de acordo com as determinações repassadas pelo seu pai ou mãe de santo.

No que se refere as experiências do uso do banho de ervas despejando-o do pescoço para baixo ou a partir do alto da cabeça (do ori), encontramos relatos diferentes também.

Os cavalos de Umbanda que integram terreiros que utilizam o banho de ervas da cabeça aos pés relatam que nunca tiveram problemas com tal ato.

Em alguns terreiros destas escolas de Umbanda não é necessário que o próprio pai ou mãe de santo aplique o amaci na coroa do cavalo. Qualquer cavalo de Umbanda, seja filho de santo do próprio terreiro, seja pai de santo de outro terreiro, seja cavalo de outro terreiro pode colocar as ervas do amaci na coroa dos filhos de santo aquele ritual naquele terreiro.

A fundamentação é que não se toca na coroa. Colocam-se apenas as ervas com as pontas dos dedos e a água contida nas folhas lavará a coroa do filho de santo e a energizará com o axé ali contido.

Cavalos de Umbanda que integram terreiros que utilizam banho de ervas do pescoço para baixo não tomam o banho de ervas na coroa por falta de sentido teológico e, desta forma, carecemos de informações experimentais neste sentido.

Vamos explicar, para as escolas de Umbanda que fundamentam o banho de ervas somente do pescoço para baixo, a coroa é fonte de alimentação do Ori e do Orixá Regente ou dos Orixás que carrega em sua coroa. Na coroa, portanto, somente pode ser depositado alimento para o Ori e para os Orixás, ou seja, dentro de escolas tradicionalistas de Umbanda na coroa só pode ser feito o ritual do amaci (ervas específicas para um ou mais Orixás, amaci das sete linhas para limpeza e fortalecimento da coroa/ori e águas sagradas em seu ponto natural chamado de amaci natural). Bem como preparados específicos para os rituais de coroação que podem ser amaci ou não. Depende da tradição do terreiro.

Para escolas de Umbanda traçada, Umbandomblés (para quem utiliza este termo) também temos o ritual de bori (alimentar o Ori – Orixá Pessoal do iniciando). Assim, seria inconcebível para estas escolas “queimar”, limpar, desfazer, alimentar a coroa com elementos (ervas, preparados, águas) que não sejam de seus Orixás como também é ritualisticamente infundado que
outra mão a não ser a do seu próprio pai ou mãe de santo ritualize algo em sua coroa.

CONCLUSÃO

Utilizar o banho de ervas a partir da coroa ou a partir dos ombros é decisão que se toma a partir da escola de Umbanda que o praticante está inserido. Não há forma correta ou ncorreta. Cada terreiro ritualiza de acordo com sua tradição e estes rituais autorizam ou não o banho a partir da coroa pelos seus próprios fundamentos. Os terreiros que utilizam tradição autorizadora do banho a partir da coroa não utilizarão nem fundamentação nem ritualística que coloque o Ori como fundamental e extremamente sagrado para o praticante legitimando, deste modo, o ato de aplicação de banho de ervas habitual no alto de sua coroa. Terreiros que enxergam o Ori como fonte primordial de culto e sagrado em alta escala (se é que podemos dizer isto) tornarão, por seu próprio discurso e ritualística, inconcebível o banho de ervas regular a partir da coroa.
Adérito Simões

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